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Notas da Aula 1 do Curso de Introdução ao Darma de Buda Shakyamuni – 22/03/2016

30/03/2016

Prólogo

É possível um curso sobre o Budismo?

Uma aventura: trilhar os caminhos da prática.

A prática do Darma como expressão histórica de um ideal humano universal: atingir a liberdade na experiência da realidade tal qual ela é/somos.

Liberdade de que? Do que nos atrapalha a vida e na vida. O que nos impede de viver plenamente?

Perguntas, mais que respostas. Um caminho a construir.

Um curso significa um percurso. Uma escolha de temas, conceitos, uma elaboração de experiências.

Temos 25 séculos de caminho, centenas de culturas asiáticas e dezenas de línguas asiáticas, antes da chegada oficial no que costumamos chamar de Ocidente, pelo vício de colonizados.

Buda Sasana (scr. shasana) – ensinamento, doutrina, disciplina, religião – norma de vida, fé. Concepção theravada.

Dharma de Buda (p. Dhamma) – ensinamento de Buda. Concepção mahayana.

Chös (tibetano) – “a religião”
Visão ocidental – filosofia – preocupação humanista com o ato adequado baseado no conhecimento adequado
ou religião, devido à percepção da incorporação de crenças e práticas devocionais, rituais, em seu desenvolvimento institucional.

Filosofia/religião como conceitos ocidentais não aplicáveis – a prática do Darma é um modo de viver único, que se corporifica em conhecimento, ritual e ação. Traduz-se por uma disciplina e uma ética, manifestadas pelo corpo-mente unificado.

O preconceito contra a religião, a ciência como nova religião, a questão do não-saber como um dos fundamentos da prática. Religião como o conjunto de valores que se manifestam através dos rituais e práticas, corporificados nos praticantes, vasos do Darma para usar a expressão dos ancestrais zen. Veículos somos, portanto, “cavalos” do darma. Historinha dos cavalos.

Na versão cientificista – pragmática do capitalismo, você pode jogar fora a ética/disciplina budistas e ficar só com a mindfulness para ser feliz explorando e sendo explorado. É quando você chega na Wisdom 2.0, feira de meditações. E aí o Darma se torna algo antiquado como tudo que chamamos de religião nas culturas ocidentais hegemônicas.

O Darma é basicamente empírico – experiencial. Deste mundo, neste mundo. De cada ser senciente, de todos, em sua existência inter-relacional. Tudo é relativo – nada é essencial.

Onde começamos?

De onde estamos. De nossa condição presente e condicionada na vida. Como poderíamos começar de um ponto onde não estivéssemos?

Não precisamos acreditar em nada – budismo sem crenças, Stephen Batchelor.

Um parêntese: budismo 2.0

O Darma como investigação racional: citações pp.12 e 13 do Gard. Como tolerância: pp.13 e 14.