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Notas da Aula 3 do Curso de Introdução ao Darma de Buda Shakyamuni – 09 e 10/03/2016

30/03/2016

Aula 3 – A vida de Buda: um tecido de lembranças e lendas

1. Não podemos entrar diretamente no estudo do Darma sem conhecer os fatos mais importantes da história real ou lendária da vida do Shakyamuni. Os episódios são simbólicos e se por um lado mostram lampejos do humano, por outro exemplificam a corporificação do Darma – o que mais tarde vai ser organizado na teoria dos três corpos (kayas) – nirmanakaya (corpo histórico, o Shakyamuni), dharmakaya (corporificação do Darma, o Buda cósmico) e sambogakaya (corpo da transfiguração). Estudaremos essa teoria mais adiante, por enquanto ficamos com a informação.

2. O lado humano tem características próprias, demonstradas pelo rompimento com a cultura tradicional: atividade vigorosa com o corpo (que não é mais desprezado), estar no mundo (samsara) para nele praticar, confiança na manifestação de um Si-mesmo. Isso se opõe à figura tradicional do asceta renunciante.

3. Nascimento de Sidarta tem várias datas, por volta de 556 a.C. . Teria vivido 80 anos, portanto falecendo por volta de 476 a.C. Foi contemporâneo, portanto, dos pré-socráticos. Segundo Batchelor, provavelmente estudou algum tempo na universidade de Taxila, no império Persa (atualmente no Paquistão), que mais tarde viria a se tornar um centro de estudos budistas. A questão da “globalização” pré-internet.

4. Páginas 22 a 25 de “Buda e o Budismo”, de Maurice Percheron (Ed. Agir, 1994).

5. Infância e adolescência – artes marciais, ciências, linguas conhecidas.

6. Profecias: príncipe ou asceta?

7. Amor, casamento, filho. Cuidado com a aplicação da visão cultural burguesa do século XX ao século VI a.C. na cultura indo-ariana do vale do Ganges.

8. Kapilavastu – as três visões. A quarta visão: a do bhikshu (mendigo, sem-teto) asceta tranquilo. Exemplo de alguém que tinha entrado no caminho da libertação, sua primeira etapa era a da renúncia: busca de um poder superior ao dos deuses, que aliás nunca salvaram ninguém da velhice, da doença, da aflição e da morte.

9. 29 anos – grande renúncia – corta os cabelos e vai para a floresta (simbolicamente fazemos isso na ordenação – corta os laços com a casta e a família).

10. Primeiro professor: Udraka Ramaputra. Aprende a não se mover, a dominar a respiração e a “jejuar como um inseto na má-estação”.

11. Segundo professor: Alara Kalaya, iogue da seita Shankya. Reconhece a futilidade das macerações: não é pela dor corporal nem pelos sentidos que se adquire a virtude e a libertação da angústia.

12. Com os sacerdotes brâmanes que ensinavam a busca do Atman/Brahman encontrou o que considerou crenças complicadas, frases feitas vazias de compaixão pelo humano.

13. Conclui então que tinha de buscar a libertação em si mesmo. Retira-se para Gaya. Meditar e vencer o próprio corpo era a tradição iogue ascética – derradeira etapa antes de atingir a santidade.

14. Mas essa não era a busca de Shakyamuni. Quando a sabedoria não chega e a própria razão começa a falhar, percebe que morrer assim não era libertação alguma, seria só a fuga final. Busca então comida, mendigando numa vila próxima, e cuida do corpo: banho e exercício. Encontra então uma figueira e arruma um assento de feno verde, faz um voto (pág. 31 do livro citado).

15. A tentação de Mara (2o. deus, depois de Brahma), o senhor das seis primeiras camadas do céu, da terra e dos infernos. Buda libertaria os homens?